Casos de mordida de peixes vêm sendo registrados em lagoa artificial de atrativo turístico do município.
Local está interditado.
Entre as espécies que atacaram banhistas está o tambaqui, que não é característico da região.
Turista levou oito pontos ao ser mordido em balneário O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) interditou um balneário em Bonito após ocorrências de ataques de peixes a banhistas, na última semana.
Conforme apurado pelo g1, somente neste ano foram registrados 30 casos no local.
No ano passado, foram 64 ataques do tipo.
Veja o relato de uma das vítimas no vídeo acima. Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no Whatsapp Os registros ocorreram em uma lagoa artificial do atrativo onde são encontradas, sobretudo, espécies como o tambaqui (Colossoma macropomum).
Entre as vítimas, está um homem que pediu para não ser identificado.
Ele relatou ao g1 que foi atacado em 2023 e levou oito pontos em um dedo da mão.
Tambaqui (Colossoma macropomum).
Espécie ocorre na bacia Amazônica. Reprodução/Brian Gratwicke Segundo o biólogo e professor visitante da Universidade de Campinas (Unicamp), José Sabino, que atua na região de Bonito, a espécie não tem ocorrência na bacia do Alto Paraguai, que abrange os rios da região, e é encontrada em áreas de planície da bacia Amazônica. “O tambaqui é um peixe amazônico e se assemelha ao pacu.
Mas, ele tem uma dentição muito robusta, com dentes que lembras nossos molares.
Ele ocorre em locais de floresta inundada e se alimenta de frutos mais duros e castanhas”, explica o professor.
O fato de consumir alimentos mais duros, conforme Sabino, faz com que a mordida do tambaqui tenha força, o que pode causar ferimentos graves em humanos.
“Por se alimentarem de frutos, os tambaquis e outros peixes também, ficam sempre atentos a qualquer movimento dentro d´’gua, podendo se confundir e, ocorrendo então a mordida em banhistas”, continua Sabino. Introdução de espécies exóticas A introdução de espécies exóticas em ecossistemas diferentes dos naturais, ou seja, onde há ocorrências dessas espécies, é considerada crime ambiental no Brasil.
De acordo com o professor José Sabino, o deslocamento intencional de espécies para outros habitats é um dos vetores da destruição da biodiversidade no planeta.
“Você tem a destruição de habitats, você tem a poluição, o tráfico de animais e a poluição que impactam a biodiversidade.
O outro vetor é a introdução de espécies exóticas.
Quando você introduz, você não tá garantindo que aquela espécie vá se estabelecer”, afirma o professor. No caso específico do atrativo interditado, o professor acredita que houve certo despreparo ao se introduzir a espécie na lagoa artificial.
Ele defende que é preciso fazer um diagnóstico do problema para mitigar o impacto.
“Uma sugestão é que os peixes sejam retirados do local, porque não adianta por uma tela ali [para evitar que os peixes voltem para a área dos banhistas], porque daqui a pouco tiram a tela ou os turistas pulam a cerca para olhar os peixes mais de perto.
Ambientalmente correto, é retirá-los”, finaliza Sabino. LEIA TAMBÉM Após ataques de peixes a turistas, atrativo tenta liberação para reabrir o local em Bonito Turista é atacada e tem pé ferido por peixe Dourado durante banho em balneário de Bonito Liberação do órgão ambiental Após o registro das ocorrências de ataques aos visitantes do atrativo, o Imasul suspendeu, em uma primeira determinação, o funcionamento total do local, no dia 26 do mês passado.
Três dias depois, parte das atividades foram liberadas, mas a lagoa onde os incidentes ocorreram permanece interditada.
O atrativo tenta reverter a decisão.
Para o professor, além da responsabilidade do empreendimento em relação aos ataques, é preciso indagar, também, como o órgão ambiental autorizou o funcionamento do local e a introdução da espécie na lagoa.
“Como é que licencia um passeio com uma espécie exótica, no sentido de ser translocada entre bacias? Isso é proibido por lei”, questiona. O g1 entrou em contato com o Imasul e não obteve retorno até a mais recente atualização desta reportagem.
Banhista foi mordido por peixe em atrativo de Bonito em 2023. Arquivo pessoal Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: